08 Fevereiro 2010

OGRES




Ilustração de Gustave Doré no livro Hop o'My Thumb, tirado AQUI


Eles andam por aí
Também vestidos de fato e gravata, sobretudos de caxemira azuis ou verde escuros.
Elas vestem-nos também, ou visons, mas há também as de saias rodadas e compridas, gordas e ou desgrenhadas
Todos usam o ar sobranceiro como só a eles fosse permitido viver, ou só eles soubessem viver, como se tivessem um qualquer segredo que os fizesse mais felizes ou infelizes que quaisquer outros, vígaros e hipócritas que são
Andam por aí misturados com as pessoas normais, que cada vez mais raras, que estes vírus vão-se pegando, muito mais rapidamente do que possamos imaginar, podendo estas usar os mesmos dress codes
Eles andam por aí, os ogres
«…eles comem tudo e não deixam nada…»

18 Janeiro 2010

LÓGICA, OU FALTA DELA




Hall City de M. C. Escher



Naquele tempo às dificuldades de aprendizagem era dado o nome de atraso, embora tenha para mim que ela de atrasada não tinha nada. Tinha tido o azar, ou a sorte, de ter ido viver para Espanha com dois anos e ter vindo de lá directamente para o colégio falando muito bem o espanhol e o inglês, mas quando queria falar português misturava as três línguas.
Leitura e ditados uma miséria, por isso rótulo de atrasada na família e no colégio.
Muito cedo, mesmo muito cedo, aprendeu que não era tão má como lhe faziam querer, por isso, deixou de se ralar com o que diziam, o que a ajudou imensíssimo pela vida fora.
Se ainda arranjo explicação para a leitura já é mais difícil arranjar para os problemas. Em contas era um ás, mas em problemas….sabia resolver ao mais simples, mas se lhe diziam o volume do tanque, o débito, por segundo ou hora, da torneira e perguntavam quanto tempo demoraria a encher, ela demorava muito mais tempo a pensar do que o tanque a encher e acabava por não ter tempo para encontrar a solução.
Mudou de colégio quando do terceiro ano, hoje sétimo, e tornou-se uma barra em matemática. Divertia-se a resolver os problemas propostos no livro de exercícios do Palma Fernandes. Resolvia o mais intrincado problema de geometria, resolvia qualquer equação com três incógnitas, mas era incapaz de pôr um problema em equação.
No exame do quinto ano, hoje nono, teve a nota mais alta do liceu por ter sido a única a resolver o problema de geometria, mas nem olhou para o problema a pôr em equação que já se sabia que sempre aparecia.
Gostava mais de ciências do que letras, mas foi esta última área que escolheu por saber que a falta de lógica do seu pensamento lhe iria provocar graves problemas na área de ciências.
Na vida do dia-a-dia não se saiu mal, por ter uma intuição ou sensibilidade ou o que lhe queiram chamar que fazia com que apreendesse com facilidade o que a rodeava, que lhe permitia perceber pelos vários tons de voz o que as pessoas estavam a pensar enquanto diziam o contrário, que anotava as expressões corporais ou faciais. Sempre conseguiu intuir a circunstância que a rodeava, para lá do que era dito.
A intuição na matemática nunca a ajudou, mas a conviver com as pessoas tem-lhe sido fundamental.
Ainda é considerada na família atrasada, o que lhe é completamente indiferente, por saber que muitas vezes se deixa passar por isso, para poder levar, com mais facilidade, a água ao seu moinho.
E há tantos que se esquecem dessa pequena diferença.

13 Janeiro 2010

MENINA MÁ




Monia da Irlanda


Todos temos em nós o pior do mundo, seja ele a crueldade ou simplesmente a maldade, digo eu que preciso de me defender, que preciso que vós sejais também maus, feios, carochos
A maldade sobe, eu não sou cruel, a cada três minutos que passam, e demoro p’raí outros dez para a empurrar bem para o fundo de mim
E as imagens que passam pela cabeça? Ele é um banco que se parte com alguém em cima, quando não é o banco que se parte por cima de alguém, ou alguém que escorrega e parte uma pernita e lá vem alguma coisa do fundo de mim a dizer, isso não que é demais.
Não tem sentido. Não me importo com um banco atirado, sabe-se lá por quem, partindo a cabeça a um alguém, mas já me importo com a visão da escorregadela e de uma perna partida.
Caramba a cabeça é mais grave, ou terei a esperança que não passe de um galo? Com um banco daqueles partido, seria difícil.
Sim, porque nunca é  um banco qualquer, no mínimo tem de ter muito ferro e se possível do tamanho de um camião, por isso é que nunca sou eu que o atiro. Bolas de sabão! oh que óptima ideia! mas do tamanho de uma bola de bowling e ainda muito mais pesada, por isso também nunca sou eu que a atiro e fico feliz porque afinal não sou tão má como me parecia
Mas tenho mesmo de fazer alguma coisa, e antes que apareça outra imagem que estrague todo o meu esquema de que não sou tão má assim, empurro, empurro com toda a força a coisa lá para o fundo de mim e tenho empurrado tanto e tão eficientemente que ando completamente enfartada e deixei de ter fome.
Menos mal, emagreço mais um pouquinho
Ah! sempre vale a pena ser má

12 Janeiro 2010

MANTA DE RETALHOS









As mulheres tecem com o seu carácter mantas de retalhos, finas e leves, mas extremamente resistentes.
Tecem-nas com fios de aço, ao qual misturam mel, lágrimas, numa mistura tal que jamais quebrará
Elas são como os salgueiros que quando vem a ventania, mesmo um furacão, dobram mas não vergam, e quando o vento vai ali estão erectas apontando a dignidade para quem as quiser seguir.
Estas mantas, feitas de mil bocados, alegrias, sofrimentos, são construídas também pelas mais fracas, carácter fugidio ou que simplesmente mal se conseguem ter em pé, mas há sempre ao lado delas uma mão que vai fortalecendo os pontos para não haver esgaçamentos ou mesmos rasgões.
É destes pontos ou seiva que se fazem as famílias, mesmo as mais disfuncionais e são as famílias, qualquer tipo de família, que constroem os países e em última análise o mundo
São estas mantas completamente invisíveis a olhares profanos a esta ou aquela família, que nos envolvem, para o melhor e para o pior.
No meio deisto tudo não sei se me apetece ficar debaixo da manta

07 Janeiro 2010

VAMOS AO TEATRO?





teatro | co-produção MM

Primeiros Sintomas
Maria Mata-os

terça 12 a quarta 20 Janeiro (excepto domingo 17) 21h30
Sala Principal

12€ / <30 anos 5€ | M/16



Uma Revista com forma e conteúdo! Acabadinha de sair do forno do ano 2009 o ano da democracia! O ano da tomada de posse do presidente dos Estados Unidos, d as eleições legislativas, eleições autárquicas, eleições europeias. Um espectáculo português pra quem votou e pra quem não o fez!

O Parque Mayer está a arder e a Revista volta Mayor ao Maria Matos!
Novíssimo! Uma Revista com forma e conteúdo!
E mais bizarro, com forma no conteúdo e com conteúdo na forma!
Um verdadeiro pastel de nata!
Um espectáculo português para o povo e pró burguês!
É a revista nacional, para quem está bem e para quem está mal!
É a revista dominante, para o acanhado e para o pedante!
É a revista sem rival, leite frio e natural!
U m ramalhete!


sábado 16 Janeiro conversa no foyer após o espectáculo


O nome Primeiros Sintomas surgiu pela primeira vez em 2001 associado à reposição, em Lisboa, do espectáculo A’ROSAS SUICIDAM-SE, a partir de de Ramón Gomes de La Sierra, com Bruno Bravo e Élvio Camacho, em co-produção com o Teatro Experimental do Funchal. Em 2002 produziram em co-produção com o Centro Cultural de Belém o espectáculo TRANSFER, com encenação de Carla Bolito. Nesse mesmo ano, com os espectáculos O VIDRO, de Francisco Luis Parreira e FRANKENSTEIN, a partir de Mary Shelley, encenados por Bruno Brav o, e estreados na Casa Conveniente e no espaço Abril em Maio, respectivamente, os Primeiros Sintomas assumem-se como grupo de teatro e desde então têm levado a cena várias produções, alternando entre espaços alternativos e convencionais, insistindo numa dramaturgia variada, entre peças de teatro e adaptações de obras literárias, destacando-se a colaboração de Miguel Castro Caldas como autor de muitos dos espectáculos. Em 2005 ganham o Globo de Ouro para melhor espectáculo de teatro com a peça ENDGAME, de Samuel Beckett, com encenação de Bruno Bravo. Uma co-produção Primeiros Sintomas/Teatro Meridional. Em 2007 o Prémio da Critica é atribuído ao espectáculo FODER E IR ÀS COMPRAS, de Mark Revenhill, com encenação de Gonçalo Amorim. Uma co-produção Gonçalo Amorim/Centro Cultural de Belém/Primeiros Sintomas. Os Primeiros Sintomas produzem, desde 2008, o festival Curtas. Um festival bianual de espectáculos de teatro de curta duração.

05 Janeiro 2010

ESTOU DEPRIMIDA




M. C. Escher



É a primeira vez que penso nesta palavra dirigida a mim.
Escrevo e torno a escrever em pensamento, porque mesmo agora que o faço, os dedos de tão pesados escrevem a mesma letra dezenas de vezes e lá tenho de voltar atrás para emendar, o que me irrita e me faz parar. O que sai é negro, tão negro e nem sequer mordaz, o humor desaparecido, mas a maldade à tona com vontade de rosnar, morder, estraçalhar.
Tenho de mudar. Ah pois! claro que tenho de mudar, mas não me apetece, aliás não me apetece nada, não quero nada, não quero nem pensar.
Há por aí algum buraco escuro onde possa hibernar durante uns dias, meses ou anos? Não se importam de o divulgar?
Sim, porque há tanta gente que se diz deprimida que devem de saber onde é possível desaparecer, quarta dimensão ou mesma a quinta, tanto faz



23 Dezembro 2009

MÃE



Era uma mulher forte, resistente, muito mais do que uma sobrevivente
Nunca foi feliz, embora fosse difícil percebê-lo.
Às vezes subia-lhe a amargura numa resposta rápida mas logo de seguida dominava-a e conseguia guardá-la nos recônditos do coração.
Teria uns sessenta e oito anos quando a fui esperar ao aeroporto, vinda de um dos períodos mais negros da sua vida, pensando que talvez viesse quebrada. Qual nada! A cabeça erguida mais do que habitualmente, seria talvez a única fraqueza demonstrada a quem a esperava.
- o que estão aqui a três a fazer? Perguntou às filhas, adultíssimas, que ficaram a olhar, e uma delas ainda arriscou – depois do que se passou…. – ora! foi a resposta, dei um jantar de despedida que ficará na memória da maior parte dos convidados.
Enfrentou a vida com garra e só quem a conhecesse muito bem poderia adivinhar tudo por quanto passou, inclusive a morte de dois filhos
Cedeu fisicamente quando as filhas começaram a mandar nela, cedeu quando deixou de ter acesso ao dinheiro que era dela, cedeu, sem se aperceber que tinha deixado entrar a figura curvada e cinzenta que durante seis anos viveu a seu lado
Num hospital, o médico deu-lhe duas horas de vida, penso que ouviu e renasceu, literalmente, uma hora depois e viveu mais quatro anos.
Vendeu cara a vida e foi digna de se ver a luta com a inimiga, embora dolorosa para quem assistia
Tinha noventa e três anos
Morreu

Um Bom Natal para todos


16 Dezembro 2009

DIVÓRCIO 4 – OS FILHOS


Não consegui saber o autor



O grande problema da dor de corno, em quem tem mau carácter, é a vingança inqualificável, que se faz ao outro, usando os filhos como meio para atingir os fins.
Não sei qual o sexo que se porta pior, nem estou interessada em saber, sei que tenho visto, praticado por elas e por eles, fazerem-se as maiores barbaridades com as respectivas famílias a apoiar.
O caso dos avós é paradigmático. Os avôs encolhem-se no seu canto e fingem não querer saber o que se vai passando, as avós são parte activa, muitas vezes fazendo também imensos disparates “a bem dos netos”.
As crianças, filhas de quaisquer pais separados, com bom ou mau carácter, por sua vez e muito cedo, começam a querer tirar dividendos dos dois lados, conseguindo-o com a maior das facilidades, por pais que levam à letra o que cada um dos filhos diz do outro pai ou mãe.
Quando o pai ou mãe sofre de dor de corno é aflitivo, para quem está de fora, assistir aos jogos que os filhos fazem com eles, e como eles, completamente obcecados e estupidificados querem ser manobrados, para logo de seguida manobrarem eles também os filhos, afim de que estes vão complicar a vida ao pai ou mãe com quem vivem, ou com quem vão passar o fim de semana.
Quando aos pais se juntam as avós, elas também obcecadas e estupidificadas, o drama atinge foros de loucura, em quem sai, para sempre, magoado e traumatizado, são os filhos.
É escusado falar com quem tem dor de corno, pai mãe, avô ou avó, infelizmente estes últimos, assombrosamente, também têm dor de corno, porque não acham que estejam a fazer mal, bem pelo contrário, eles estão a fazer tudo tendo em vista “o superior bem da criança” e isso é que é terrível.
Não me venham cá com as desculpas habituais, que a mãe ou o pai deixaram de ser bons pais, parece que o facto de uma pessoa se divorciar deixa de saber tratar dos filhos, como o fazia anteriormente. Bah! desculpas de maus pagadores
Os tribunais não têm hipótese de dar resolução a isto, porque estamos no domínio da moral e, como o Funes já me ensinou, os tribunais não servem para resolver problemas de moral.
O que é bom não esquecer é o exemplo que se dá a essas crianças, que poderão mais tarde repetir o que viram fazer...falaremos disto mais tarde
Eu como tenho mau feitio, às vezes apetece-me correr todos à bofetada.
Fico-me só pelo apetite e ponho um sorriso triste

14 Dezembro 2009

DIVÓRCIO 3 – DOR DE CORNO




Foto de KANOC


Existem três sentimentos, na minha maneira de ver, que são extremamente devastadores, para a pessoa que os sente e para a pessoa que é objecto desses sentimentos:
1 – INVEJA.
A galinha da vizinha é melhor que a dela, muito típico no português. Quem a sente é sempre uma pessoa infeliz. Passa a vida a desejar ter ou ser aquilo que não tem nem é, nada mais frustrante. No entanto atinge, também sempre, a pessoa a quem se dirige, por normalmente uma pessoa invejosa usar de todos os truques, os mais sujos claro, para ser como a outra e como não o consegue, porque ninguém invejoso consegue ser ou ter o que vê na outra pessoa, prefere derrubá-la.
Às vezes conseguem-no
2 – ÓDIO.
Quem o sente torna-se obsessivo. Sempre que tem um qualquer segundo de silêncio usa-o para fazer mil e uma elucubrações mentais a fim de arranjar uma estratégia para se vingar. Cada minuto que passa na sua vida é para continuar a alimentar esse ódio.
Muitos, tantos, conseguem atingir os seus fins. Quase sempre conseguem-no parcialmente, sacaneando.
3 – DOR DE CORNO.
Este, penso eu, é o mais arrasador de todos os sentimentos por aliar os dois de cima, principalmente se sentido por pessoas que viveram juntas vários anos.
O ciúme pode ser visto como uma inveja de afectos, de quem dá e a quem é dado esse afecto.
A dor de corno é um sentimento fortíssimo, talvez comparável à força de uma paixão, muito mais forte que o amor que diz que tem, quem o sente.
paasa todo o tempo, o livre e aquele em que deveria estar a trabalhar, a pensar em vinganças que normalmente consegue executar através dos filhos
Falarei depois sobre os filhos
Ouvi uma vez uma mulher, no seu desespero, dizer que preferia a dor de ver o marido morto, porque assim o choraria com saudade e amor, em vez de o chorar com raiva e ódio.
Devo dizer que a dor de corno não é propriedade da mulher, embora seja mais frequente nela, por serem até hoje? ontem? quem mais era objecto de infidelidades, traições, o que lhe queiram chamar.
Acho que qualquer um de nós pode sentir os dois últimos sentimentos, mas depende do carácter, bom ou mau, o que faz com eles, o tempo que lhes dedica.
A inveja só a pode sentir um mau carácter
Desculpem o meu fundamentalismo, mas é assim que sinto.

13 Dezembro 2009

TWIGGY



Ontem, num comentário do JORGE, a este POST no blogue do FUNES, falou-se na magreza de Twiggy.
Não sei há quantos anos não me lembrava da Twiggy e era realmente magra, mas tinha dezasseis anos quando começou como modelo e há quarenta e quatro anos a generalidade das raparigas começava a ganhar formas por volta dessa idade.
Não fosse a sua espantosa cara, a maquilhagem com que se apresentou e a facilidade em mudar de expressão, coisa que não era habitual, naquela época, não teria conseguido ser modelo, exactamente pela sua magreza. No entanto o seu corpo desenvolveu-se, mas continuou magra e elegante, apesar das suas pernas.
Twiggy nunca teve pernas bonitas, simplesmente, há pernas fininhas independentemente da gordura ou magreza de uma mulher, porque eram magras demais.
Twiggy foi um ícone, na sua época, tão conhecida como os Beatles.
Foi difícil arranjar um vídeo que mostrasse a Twiggy de hoje com os seus sessenta anos.
Continua linda e elegante, ora vejam lá




12 Dezembro 2009

SEMPRE TIVE ORGULHO NO MEU PAÍS



SAÍU NO EXPRESSO E RECEBI POR EMAIL, MAS NÃO NÃO QUERO SABER.
NICOLAU SANTOS TEM RAZÃO, SÓ DIZEMOS MAL DE NÓS PRÓPRIOS, SOMOS NÓS QUE NOS ENTERRAMOS, NOS OUTROS PAÍSES, ESPANHA POR EXEMPLO, OS AUTÓCNES CONSIDERAM-SE OS MAIORES.



Nicolau Santos,

Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista "Exportar"



Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.

Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gá> muito leve que já ganhou prémios internacionais.

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.

Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.

Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.

Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os toda a EU.

Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.

Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.

Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.

Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.

Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhore vinhos espanhóis.

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.

Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.

O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive... PORTUGAL.

Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

Há ainda grandes empresas multinacionais instalada no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe,como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).

É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... do que se atrasou em relação à média UE...etc

Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.
É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.

09 Dezembro 2009

DIVÓRCIO 2




tirado de um powerpoint


A Filipa e o Luís começaram a namorar há vinte anos, vivem há dezasseis e estavam casados há catorze. O Luís é filho da Maria e a Filipa é a nora que todas queriam ter tido. Todos pensavam que aqueles nunca se separariam.

- …..O Luís está lá em casa, diz Maria, à espera da resposta do banco para a compra de uma casa.
- tu não estás nada bem, diz Mitó
- o que é que queres? Estou a ver o meu filho a sofrer que nem um cão
- mas Maria, há uns três anos atrás eles estiveram para se separar, acrescenta Rita, não pensaste que poderiam mais cedo ou mais tarde romper?
- não, não pensei, foi uma crisezita que passou…
- pelos vistos nem era uma crisezita, nem tinha passado, disse Teresa
- calma! O que está errado foi a Filipa ter arranjado outro. Isso é que é inadmissível, isso tem um nome….
- espera aí Zé, não comeces com os teus machismos e a pôr lenha na fogueira. A Filipa deixou de gostar do Luís, ponto, disse convictamente Mitó, que sempre tinha gostado muito de Filipa.
O difícil é separar-se sem haver mais ninguém, o difícil é provocar tanto sofrimento aos outros sem razões palpáveis.
Muitas vezes uma terceira pessoa só vem clarificar as situações. Não defendo isto, mas também não acho tão grave haver uma terceira pessoa.
- só sei que me sinto enganada, respondeu Maria, que pensava que a Filipa será mais honesta. As mulheres hoje em dia trocam tudo por um orgasmo! Pronto! Sempre houve mulheres que eram mais mães que mulheres……
- o que é isso? Mulheres mais mães que mulheres? Que conceito é esse?
- Mitó! Já sabemos que sempre defendes a Filipa, não venhas arranjar discussões…
- não estou a defender a Filipa, estou-me a defender a mim, o que é bem diferente. De todas vós sou a única que se divorciou, por isso minha linda, as mulheres que são “mais mães”, como tu dizes, são aquelas que não têm independência económica, enquanto as que são “mais mulheres”são aquelas que preferem lavar escadas a viver com alguém de quem deixaram de gostar.
Os filhos sofrem, é verdade, mas também sofrem aqueles que são filhos de pais que se deveriam ter separado, portanto não venhas cá com demagogias.
E não é um orgasmo, são muitos, que muitas vezes fazem a diferença e não vejo mal nenhum que faça parte da escolha, ora essa!
- vamos ter de escolher entre um e outro, disse com certa tristeza Teresa
- espero que escolham o Luís, acrescentou Maria
- eu não vou escolher ninguém, recuso-me. Hei-de receber os dois lá em casa, um de cada vez…
- já sabíamos Mitó, disse meio zangado o Zé. Na nossa casa só entra o Luís!
- vocês sabem lá o dia de amanhã! E se eles se voltam a juntar, qual é a figura que vocês fazem, pergunta Mitó
E a discussão parecia que não tinha mais fim


04 Dezembro 2009

BOM FIM DE SEMANA



São só 6 minutinhos, que valem a pena



03 Dezembro 2009

DIVÓRCIO 1



Foto de Paulo Medeiros



Para dizer sinceramente nem sei bem por que lado começar, ele há tantas pontas, tantas maneiras de ver a questão
Para contar a história de hoje tenho de contar a história de ontem.

Ela separou-se ao fim de quatros anos de casamento. Sabe que tentou esforçadamente continuar, talvez por saber, naquele tempo, que ia ser ostracizada por toda a família, não havia divórcio, ainda, talvez por não querer abrir mão de sonhos, há sempre tantas razões para se continuar. Não esperava que os amigos tivessem também tomado partido, quase todas por um, alguns por outro, não havia razão para isso, pensava ela.
Naquele tempo, dizem que mesmo agora, as mulheres casadas, por mais “amigas” que fossem tinham um medo atávico de mulheres separadas, quem diz separadas, diz divorciadas.
Não havia terceiros, e é claro que a família dele, de quem ela tanto gostava, deixou de lhe falar, mesmo se em encontros fortuitos, em escolhas iguais de restaurantes.
Saiu do casamento pensando que a culpa era 100% dele e a razão 100% dela.
Saiu, pensava e pensa, por sobrevivência mental e psicológica, saiu com raiva, sem saber a razão dela, mas saiu sabendo que não tinha feitio para ser vítima.
Hoje sabe que quando acaba qualquer vivência conjunta, a culpa e a razão são, em partes iguais, dos dois. Hoje sabe que só aparecem terceiros, quando já alguma coisa quebrou entre os dois, quando algum deixou de se bater pelo amor e se arrasta, quando algum se acomodou, quando começaram a voar em diferentes direcções e há excepções, evidentemente. Hoje sabe que a raiva que sentia foi por ter visto todos os seus sonhos, os mais românticos, acabados, sem hipótese de voltar a eles.
Trinta seis anos depois recebe um recado, dado a um filho, da ex sogra que dizia que tinha saudades dela, que sabia quanto ela tinha sido amiga deles todos.
Subiu-lhe um sorriso amargo, por saber tão bem o porquê do recado.

Julgava que este tipo de atitudes tinham acontecido por ter sido ontem, afinal tem aprendido que, estas mesmas atitudes, continuam hoje

02 Dezembro 2009

DIA DE IR AO SÓTÃO





buscar o que para lá houver, a ver se componho o Natal.
Sempre que me lembro penso que tenho de o limpar, nada melhor do que hoje.
Começo com as arrumações e lá chegará a hora de o lavar.
Abro a gaveta onde estão as pinhas prateadas, misturadas com as que ficaram por pintar.
Despejo-a, é mais fácil procurar e sempre porei de lado o que já não interessar.
Olha! Ainda aqui está a vaquinha do presépio que já tantas vezes tive na mão para deitar fora
Não consigo desfazer-me dela, é a única peça que ainda existe do ano em que me contaram que o menino Jesus era invenção. Já me não lembro se só guardei esta ou se as outras se foram partindo, lembro-me sim do desgosto que tive, lembro-me que acabou ali a Magia que sempre tinha existido.
As folhas dos plátanos avermelhadas…..ainda sei qual o plátano de onde as arranquei, antes de morrerem espalhadas pelo chão. Estão tão estragadas...vou guardá-las mais uma vez
Cá está a árvore de Natal, abro o baú e encontro a neve, as bolas prateadas e aquela grande dourada, comprada para o primeiro Natal já na minha casa, o laço vermelho, posto dez anos depois na mesma árvore....
E assim continuei uma tarde inteira e quando olho a obra acabada, vejo penduradas umas quantas, muitas, memórias, bastantes presentes e alguns futuros, que a Deus pertencem
É fácil a vida, assim relembrada e contada, abrilhantada com purpurinas e pelas luzes realçada
O sótão? Ficou por lavar, como o ano passado e há dois, talvez quatro....eu sei lá

30 Novembro 2009

NAUFRÁGIO



Carlos Dugos, óleo sobre tela 130x97cm 2008
clique para aumentar

«Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal….»

Fernando Pessoa, in Mensagem

Quanto pode uma tempestade, no mar em terra, quem sabe, em mim, em ti, outras tantas incógnitas
Quantos homens naufragados, quantos filhos por voltar, quantas lágrimas corridas!

Elas dias a fio na praia, meses ou dias de espera, tanto faz, ora sentadas, ora em pé junto ao mar, braços atirados aos céus mas que depressa se viram para o largo oceano, ora gritando e amaldiçoando, ora chorando, ciciando ao seu santinho predilecto, que os traga sãos e salvos.....e o caixão ali ao lado

Elas dias a fio em terra, meses ou dias de angústia, tanto faz, esperando que não haja nada com que ele embirre, ciciando ao seu santinho predilecto, que não haja discussão, que os filhos não façam barulho, que ele não levante a mão, que não faça vento, que a comida seja de eleição, que não haja tempestade.....e o caixão ali tão perto

Elas dias a fio correndo lágrimas, dias ou meses salgando o mar, que é impossível o seu filho ter feito aquilo, que sabe como o educou, que sabe como ele chorou quando a via batida, esquecendo que lá muito no fundo ficou a semente, ela não é mais que a minha mãe, que apanhou, ciciando ao seu santinho predilecto, promessas de idas a pé, se ele se "safar"......a prisão longe ou perto, tanto faz


26 Novembro 2009

NOITE NEGRA



Roubado AQUI


A noite corria, corria que nem rio atravessando o mundo para ir desaguar, doesse a quém doesse, inevitável, destino, correr, correr para lado nenhum
O tempo parado, o buraco aberto, sem vontade, sem querer, sem nada
As noites deveriam desaparecer, por serem obrigatoriamente para dormir e dormir é a única coisa que sei que não quero, nem mais um pesadelo, nem mais um sonho, nem mais uma memória, memória do que foi e que já não é, brecha por onde resvalo para um outro lado, tenebroso.
Passei a ter medo da noite, não sei se do escuro… Ora! do escuro certamente, estou sempre com a luz acesa, ou por ter de dormir, é suposto ser normal dormir à noite, é o que toda a gente espera que os outros façam, ou por não dormir, prefiro dormitar durante o dia, sonhos curtos dos quais logo acordo.
Telefonam-me sempre de manhã a perguntar se dormi bem, sobe-me à boca crispada um sorriso irónico, logo amordaçado porque fico sempre comovida e agradecida com este desvelo e respondo que sim, embora tenha estado toda a noite de olho aberto perscrutando os olhos faiscantes do dragão, nauseabundo, negro, que de vez em quando dava mais um passo na minha direcção.
Não há meio de decidir, se me mata ou não.
Só quero que a indecisão acabe.



24 Novembro 2009

CAMPO DE BATALHA



CARLOS DUGOS óleo sobre tela 60x70cm 2007
clicar para aumentar


Quero o silêncio
procuro o silêncio, foi por isso que calcorreei todo este percurso, batalhas quase terminadas
Quero o silêncio que preparei com esta dura caminhada, de oriente ara ocidente, passo a passo e, quando olho o céu, céu nunca visto, tão esperado, tão inesperado, o silêncio cai, envolve-me e encontra-se com o que já interiorizei e só nessa altura consigo viver plenamente o maravilhamento de tão deslumbrante espectáculo
Há ecos de gemidos, gritos que rompem a distância e chegam de mansinho por terem atravessado a imensidão do tempo, que aumentam agora, como estivessem ali mesmo ao meu lado, ruído de armas que se entrecruzam.
Levo as mãos aos ouvidos, mas o fragor da batalha continua, dunas e dunas que parecem ainda moldadas pelo sangue que por ali escorreu, a cor da areia, vermelho, esmaecido com o tempo que reflecte a cor dos cavaleiros e do rei que por ali ainda se arrastam, ensanguentados, perdidos.
Dos peões não reza a história, mas como estão habituados a um qualquer pedaço de terra rasa, ou a um qualquer fundo de mar, são os únicos que descansam em paz.
Quero o silêncio de volta, grito, grito sem parar querendo parar os gritos dos outros que se não calam.
Quero que entendam que esta hora é presente, que esta hora é minha, que não aceito fantasmas, que não aceito passados.
Silêncio, quero o silêncio

22 Novembro 2009

UMA LUA, UMA SEMANA






Há um bocadinho estive lá fora.
Está uma noite serena, o frio desapareceu, não corre nem a mais leve aragem, o céu estrelado lembra uma daquelas noites de que tanto gosto em Setembro
Estive à espera que a lua de pusesse, alaranjada, uma talhada de sonho
Sirvam-se!
Tenham, no mínimo, uma semana tão boa como irei ter.

19 Novembro 2009

NEVERLAND/NEVERWAS…







Sonhei esta noite, que a Lua se tinha recusado a ser Lua Nova e que continuava Cheia. Havia grande constrangimento por todo o Universo, já que obrigava a que todos se tentassem adaptar, se não quisessem que houvesse grandes tempestades cósmicas, com calma celestial, e rapidez terrestre, visto que as marés já andavam em perfeito badanal provocando que se atrasassem uns nascimentos para outros se adiantarem
Sonho fantástico, lua como nunca tinha visto, estrelas cadentes que formavam pingentes que caiam dos céus a velocidade estonteante, mas sempre seguidas de outras, e mais outras, num fogo-de-artifício de uma única cor, deslumbrantemente azul prateado.
Ouvi um ciciar insistente, “que a Lua é Nova quando se encontra mais perto do Sol e por isso é magnetizada e vivificada por ele, é a fase que corresponde à paciência, à espera”.
A pouco e pouco, lá foi desaparecendo a Lua Cheia, dando lugar à sua oposta.
As estrelas caíam, não sei se com maior frequência, ou com maior intensidade, ou, ainda, deixando ficar o rasto mais tempo, sei que se abriu uma fresta de luz no firmamento, que se foi abrindo, abrindo, abrindo….para eu passar? Fiquei na dúvida se o queria fazer e a fresta começou a fechar. Num repente, sem pensar mais, o que fosse soaria, lancei-me para poder por ela passar.
Foi então que acordei
Entre Neverland, Neverwas e o País das Maravilhas, está o sonho
É necessário viver o que se sonha
É necessário sonhar bem para se viver bem
«Comece pelo início e quando chegar ao fim pare»